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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

fadiga e condução

A FADIGA E A CONDUÇÃO
A fadiga é um estado que condiciona a obtenção de bons resultados em
qualquer actividade e que se caracteriza por uma diminuição das
capacidades perceptivas, cognitivas e motoras.
Prejudica a vigilância, a atenção, a capacidade perceptiva, a resposta
reflexa, o tempo de reacção e todo o processo de decisão. Se
transpusermos todas estas alterações para a actividade de conduzir
facilmente se compreende a perigosidade de a realizar sob o efeito da
fadiga.
A condução requer uma elevada concentração em detalhes importantes. As
omissões ou lacunas traduzem-se em apreciações incorrectas e em
respostas desajustadas às diferentes situações com que o condutor se vai
confrontando na circulação.
É comum pensar-se que a fadiga ao volante corresponde ao
adormecimento durante o acto da condução. Contudo, o adormecimento
corresponde a um estado extremo de fadiga, que já ultrapassa o estado de
sonolência.
A fadiga corresponde a um cansaço ou exaustão. As capacidades
necessárias à prática de uma condução segura ficam diminuídas logo que o
estado de fadiga se desencadeia, muito antes de correr o risco de
adormecer ao volante.
Os efeitos da fadiga e as suas consequências podem ocorrer sem que o
condutor se aperceba, subestimando frequentemente o impacto que este
factor interno tem na falha humana, maioritariamente presente na
sinistralidade rodoviária.
É importante os condutores conhecerem as principais causas da fadiga
e/ou sonolência ao volante, para que possam tomar as devidas
precauções, especialmente antes de uma viagem longa. Nunca é demais
lembrar que o pico da fadiga e da sonolência surge entre as 2 e as 6 horas
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da madrugada e à tarde entre as 14 e as 16 horas, quando o ritmo
biológico induz o sono.
Existem factores inerentes à própria pessoa (como dormir pouco, a
ingestão de determinados medicamentos ou de álcool, entre outros) e
factores respeitantes à infra-estrutura e ambiente rodoviário (como um
ambiente rodoviário monótono, a circulação nocturna, grande ou muito
reduzida intensidade de trânsito, etc.).
Principais causas da fadiga ao volante
Déficit de horas de sono
Grande esforço físico
Trabalho intelectual intenso
Ingestão de bebidas alcoólicas
Ingestão de alguns tipos de medicamentos
Estado de stress
Estado de doença
Posição desconfortável ao volante
Longas horas de condução
Temperaturas extremas (muito calor ou muito frio)
Ambiente saturado (com fumo, por exemplo)
Monotonia provocada pelo meio ambiente e/ou pelo traçado da via
Deficiente arejamento do habitáculo do veículo
Refeições pesadas
Condução nocturna
Deficiências visuais não corrigidas
Quando não se dorme o suficiente, mesmo que seja apenas numa noite,
inicia-se uma “dívida de sono” que se vai acumulando até que o sono
necessário seja reposto. Uma sonolência problemática ocorre quando a
dívida de sono acumula. Se forem perdidas demasiadas horas de sono, o
facto de dormir mais ao fim de semana pode não servir para reverter
completamente os efeitos de não dormir o necessário durante a semana.
Principais sintomas da fadiga
Bocejos frequentes
Dificuldade de concentração
Dificuldade em manter os olhos abertos e em os focar
Sensação de picadas nos olhos ou de olhos pesados
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Sensação de entorpecimento e cãibras
Impaciência, mau humor
Dificuldade em manter a cabeça direita
Sensação de reagir com mais lentidão
Dificuldade em reter em memória acontecimentos imediatamente
anteriores
Pensamentos desconexos
Sensação de sonhar acordado
Mudanças bruscas de velocidade
Alterações no desempenho da condução, como dificuldades no
manuseamento da caixa de mudanças
Sensação de que todos os outros condutores conduzem mal
Sensação de alterações no ruído próprio do veículo
Principais efeitos da fadiga
Perda de vigilância em relação ao meio envolvente
Aumento do tempo de reacção – estima-se que, após 2h de
condução continuada, o tempo de reacção normal do condutor
duplique e consequentemente a distância de reacção e a distância de
paragem do veículo aumentem
Lentificação da resposta reflexa
Diminuição da capacidade de decisão
Perturbações na visão
Períodos de ausência de 1 a 4 segundos com os olhos abertos
Aumento da sensação de esforço
Menosprezo pela sinalização e dificuldades na sua descodificação
Dificuldade em manter a trajectória do veículo
Não esquecer que a fadiga é, só por si, um agente indutor da sonolência.
Estudos internacionais provam que os efeitos da fadiga na condução são
semelhantes aos efeitos provocados pelo álcool. Sabe-se que após 19
horas de privação de sono a diminuição de desempenho é equivalente à
observada em indivíduos com uma TAS de 0,50g/l e que após 24 horas
sem dormir essa diminuição é similar a uma TAS de 1g/l.
A condução sob os efeitos simultâneos da fadiga e do álcool é
extremamente arriscada. É uma junção explosiva (álcool e privação do
sono) que pode explicar o elevado índice de gravidade na sinistralidade
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rodoviária que ocorre no período nocturno, envolvendo as camadas mais
jovens.
Principais formas de evitar a fadiga
Iniciar a viagem bem repousado
Dividir as viagens mais longas em etapas e dormir o suficiente nas
noites precedentes (1 a 2 horas de sono em défice por noite,
equivale a uma noite em claro ao fim de 4 a 5 dias). Estima-se que,
em média, uma pessoa precise de dormir entre 6,30 a 9h por noite
Não estabelecer hora de chegada
Comer refeições ligeiras
Não ingerir bebidas alcoólicas
Ter em atenção que determinados medicamentos podem provocar
sonolência
Manter o veículo bem arejado
Ajustar o banco de forma a sentar-se confortavelmente
Parar de 10 a 15 minutos todas as 2 a 3 horas de condução, sair do
veículo e fazer alguns movimentos, prolongando esse período se
necessário
Não resistir à fadiga, nem ao sono. Se necessário, parar e dormir um
pouco (20 a 40 minutos) ou passar, se possível, o volante a outra
pessoa
ATENÇÃO
A FADIGA E A CONDUÇÃO
SÃO INCOMPATÍVEIS

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